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They call me a "boutique singer"

They call me a "boutique singer"

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Quando você nasce no país responsável por direcionar a música pop mundial você já tem credencial para entrar pela porta da frente. Fazer natação e na sequência ter aulas de saxofone, uma rotina comum para as crianças da Suécia.

Há cerca de dois milhões de crianças suecas. Na imagem ao lado, temos a fofura recém-chegada ao mundo em 2016: Dion. Filho de Lykke Li e Jeff Bhasker, ambos são músicos.

Não vamos prever o futuro de Dion, é muito cedo para isso. Mas vamos olhar com carinho para a trajetória de Lykke Li. Quando ela falou de sua infância ao Telegraphy, lembrou que foi complicada e tumultuosa -  ao contrário do que você vai ler por aí sobre a infância escandinava. Caminho natural de muitos suecos, foi pela música que Li apareceu para o mundo e ganhou seus primeiros rótulos no mercado. Foi assim também que, com o passar do tempo, ela foi deixando todos esses labels pra trás.

Do seu primeiro álbum ao último, em suas entrevistas mais recentes as mais antigas. Lykke Li não é a mesma, mas de alguma forma ela continua sendo igual. Parte do processo de autodescoberta e dos filmes de seus diretores preferidos: Godard, Antonioni, Almodóvar.

Em 2014, esse processo começava a tomar forma:

Aquela moça que a gente conheceu em 2000 e qualquer coisa não é a mesma de ontem à noite no Casino de Paris, na capital francesa. A música é cheia dessas histórias sobre mulheres que lidam com seus demônios particulares, seus amores e transmutam essa experiência afetiva na própria música. Fez lembrar um pouco o que aconteceu com a Cat Power, que saiu destruída de um relacionamento, se isolou e fez um disco. Lykke Li cruzou o mesmo drama, saiu de um namoro e começou uma vida sozinha.

Em seus primeiros álbuns, a cantora passou a ser vista como popstar. Em “I Never Learn” ela quis explorar o seu potencial não-pop, trazendo referências e arranjos dos anos 70, com letras que mais parecem ser uma confissão. Sempre com um copo de whisky por perto, uma das principais contribuições de seu último trabalho. No show de ontem foi bem assim – e com pouco gelo, por favor.

Ela sobe ao palco toda de preto, parece querer se esconder atrás das cortinas, mas acontece exatamente o contrário. Ela brilha no centro, todos os olhares são pra ela. Sua música fala de angústia, de dor, de amar alguém como se fosse o último. A vergonha, a culpa e a tristeza de abandonar alguém, como ela descreveu em entrevista ao Pitchfork. Ela se tornou uma mulher e fez do Casino palco de sentimentos universais, que são dela e nossos também.

Talk with: Kevin Parker - Tame Impala

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